Faltam associações rurais em Irati - Jornal Iratiin

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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Faltam associações rurais em Irati

Irati é um município que tem a agricultura como uma de suas principais atividades econômicas. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MET) o município de 56 mil habitantes tem quase quatro mil propriedades rurais e 20% da população iratiense está no campo. Isso deveria fazer com que a demanda da Secretaria Municipal de Agricultura para atender os produtores rurais fosse muito grande, porém, de acordo com o secretário Claudio Ramos, poucos agricultores procuram os serviços da pasta. A criação de associações rurais seria uma alternativa, segundo Ramos.

GEDSC DIGITAL CAMERASuporte técnico
Um agricultor de Irati que preferiu não se identificar comentou a reportagem do Hoje Centro Sul que o acompanhamento técnico por parte da Secretaria Municipal de Agricultura não tem sido satisfatório. Segundo ele, demoram vários meses até que os técnicos da prefeitura voltem nas localidades para prestarem serviços aos agricultores iratienses.
Claudio Ramos concorda que a assistência técnica provida pela Secretaria não está a contento. “Essa seria uma de nossas atribuições. Mas como atender a quase quatro mil propriedades?”, questiona o secretário. Para ele, seria necessário um incremento de pessoal para que se pudesse prestar esse serviço de forma efetiva.
No entanto, para ele, a melhor forma de realizar essa assistência na atual conjuntura seria através das associações rurais. Ramos afirma que Irati já teve 42 associações ativas e no momento apenas 10 estão em funcionamento. “Nós precisamos reativar as que estão paradas”, argumenta o secretário. Apesar da necessidade, Ramos afirma que ainda falta interesse dos agricultores em se associarem.
Para explicar a importância do associativismo, ele cita a Associação de Iratizinho, da qual cerca de 40 famílias fazem parte. “O trabalho que vai ser desenvolvido na comunidade é repassado via associação, assim, a partir das reuniões, nós sabemos quais são as dificuldades e podemos organizar as coisas”, aponta. Realizar a assistência técnica individualmente não é viável, de acordo com Ramos.

Bacia Leiteira
Um dos programas desenvolvido pela Secretaria é o de desenvolvimento da bacia leiteira iratiense. Ramos afirma que desde o início da gestão está sendo realizado um levantamento de números sobre esta questão para que fosse identificado o número de produtores de leite residentes em Irati, qual o objetivo de cada um e quais as necessidades específicas em cada propriedade. “Foi determinado um técnico para trabalhar apenas na bacia leiteira, até pela possibilidade de vir a Tirol aqui para Irati, visto que era necessário criar um desenvolvimento maior de produção”, afirma o secretario.
Ramos ainda afirma que é preciso realizar diversas melhorias para o aumento da produtividade do leite em Irati, entre elas o melhor desenvolvimento dos pastos. Mas, para que isso seja feito da melhor maneira, as associações seriam de suma importãncia. “Vamos começar trabalhos específicos na propriedade, pois cada produtor tem necessidades diferentes”, afirma.

Agroecologia
Atualmente, apenas o Instituto Equipe de Educadores Populares (IEEP) e a Associação Assis desenvolvem trabalhos específicos para a agroecologia, ou seja, a produção de culturas agrícolas sem o uso de agrotóxicos. Para a técnica do IEEP, Fernanda Popoaski, não seria um aumento no número de associações que faria a agroecologia crescer no município, mas sim formação técnica sobre o assunto.
Fernanda cita a Emater como exemplo, pois segundo ela, os técnicos são preparados para lidarem com a agricultura convencional, mas não com a agroecologia. “Eles sabem indicar todos os insumos necessários para o bom desenvolvimento de uma agricultura convencional, mas não estão preparados para dar o suporte técnico para os produtores agroecológicos”, afirma.
Porém, a falta desses técnicos é uma realidade até mesmo dentro do Instituto. “Nós gostaríamos de dar ainda mais suporte, mas falta um projeto para a contratação ou formação de profissionais voltados para a área”, explica Fernanda.


Texto: Guilherme Capello, da Redação
Fotos: Arquivo