No ar: A história do rádio iratiense - Jornal Iratiin

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sábado, 21 de março de 2015

No ar: A história do rádio iratiense

Em Irati, quatro emissoras mantém suas atividades relacionadas ao entretenimento e à transmissão de informações: a Rádio Difusora Cultural Iratiense AM, a Rádio Najuá AM e FM , Rádio Vale do Mel FM e Rádio Cultura FM.

Essas rádios fizeram e fazem parte da vida das pessoas, independente de sua classe social. É senso comum que o rádio informa, diverte, educa, entretém e até doutrina. Embora faça parte do cotidiano da população, muitos desconhecem suas histórias e os detalhes da produção e apresentação dos programas radiofônicos.



Difusora Cultural Iratiense AM

 A primeira rádio instalada em Irati foi da Rede Pontagrossense de Rádio, chamada Rádio Difusora Cultural Iratiense no ano de 1948, fundada por Abílio Holzmann e Manuel Machuca, empresários da área de comunicação na cidade de Ponta Grossa.

A rádio não deu o retorno esperado e a emissora foi desativada e levada para Ponta Grossa em 1952. Junto com a rádio foi também um grande radialista da cidade, Nagib Harmuch, que posteriormente, seria o fundador da Rádio Najuá.

Os irmãos Leite, Alfredo e José de Andrade Leite, não aceitaram que a cidade ficasse sem uma emissora de rádio. Eles batalharam em busca de um prefixo (denominação para liberação de uma emissora), que só poderia ser adquirido na Capital Federal, na época, o Rio de Janeiro.
Depois de muitas tentativas, em 1957, os irmãos Leite voltam com o documento em mãos, e assim nasce uma nova rádio, porém com o nome antigo: Rádio Difusora Cultural Iratiense, instalada em 24 de maio de 1957 e que perdura até os dias hoje.

Durante um ano, os estúdios e a torre transmissora permaneceram no bairro Lagoa.  Em 1958, o estúdio foi transferido para a Rua Alfredo Bufren esquina com a Rua XV de Novembro.
A potência inicial da rádio era de 100W, depois de um período passando para 250W, 1000W até chegar a potência atual de 5000W, com uma abrangência de 80 km. Até 1978, a Rádio Difusora foi a única emissora na cidade de Irati. Atualmente, a rádio pertence a Antônio Toti Colaço Vaz.

Najuá AM e FM

Desde o início o rádio cruzou o caminho de Nagib Harmuch. Começou a carreira como um dos primeiros locutores na primeira Rádio Difusora de Irati, depois de passar por várias emissoras fora da cidade, Nagib realiza o grande sonho de sua vida em 1978, com a Rádio Najuá AM.

Fundada em 1º de maio, muitos pensam que o nome Najuá tem origem indígena, mas, na verdade, a denominação veio da junção dos nomes dos fundadores: Nagib Harmuch, Jubílio Zimmerman e Almir Antonio Bohm. A sociedade dos três foi dissolvida antes da fundação da rádio FM, que entrou no ar em 5 de junho de 1989, pertencendo agora apenas à Nagib Harmuch.

Jussara Harmuch, filha de Nagib, é quem dirige as rádios AM e FM no momento. Entre os programas de maior destaque está o Meio Dia e Notícias, o mais antigo dentro da programação, que tem como objetivo informar e dar oportunidade para que o público se manifeste.

O espaço na rádio é oferecido para que as pessoas façam as suas reclamações, agradecimentos, avisos, convites e até pedidos mais inusitados, como a procura de familiares e animais desaparecidos, por exemplo.

Todos os locutores que passaram pela rádio seguiram e seguem o princípio de dar voz à população. “Para nós é muito gratificante dar sequência a esse tipo de trabalho, implantado aqui há 37 anos pelo seu Nagib. Esse espírito, a forma de tratar as pessoas foi mantida em todo esse tempo”, explica o locutor, Rodrigo Zub.

Rodrigo lembra da história de uma garota de 16 anos que estava prestes a fazer aniversário, ela entrou em contato com a rádio, pois queria como presente reencontrar o pai que não via desde que tinha um ano de idade. A polícia rodoviária ouviu a transmissão e conseguiu localizar o pai da garota em Mato Grosso. “Ele se dispôs a visitar a filha e nós acompanhamos o reencontro que aconteceu aqui na rádio, foi muito marcante para todos”.

Vale do Mel FM

A Vale do Mel FM veio imprimir sua sonoridade na frequência modulada de 89,9 MHZ através do canal 210 em meio ao frisson musical do pop/rock da década de 80. Em 31 de outubro de 1986, se ouviu pela primeira vez o som da emissora.

A concessão se deu pela parceria entre Julio Cezar Lisbôa, Marco Antonio Benato Leite, Cesar Fernando Gaspar Fleischer e Cícero Moreira Gomes.  Em curto período, quatro alterações contratuais modificaram o quadro societário. Na terceira delas, em 13 de abril de 1987, Tânia Lisbôa ingressou na empresa, assumindo a gerência junto com seu pai, Júlio Cezar Lisbôa.

No começo, a rádio veicula somente programação musical, sem locução, salvo o nome da emissora, a frequência e o canal. Passados três meses a Vale conquista sua permanência. Em 23 de janeiro de 1987, as vozes de Gilson Leveovix, José Ruiz Gongra, Antonio Cezar de Lima, Luiz Simionato Neto e José Ubiratan Batista se fizeram ouvir ao entoar o prefixo da emissora: “Esta é a sua ZYD 403, Canal 210, Frequência Modulada de 89,9 MHZ, Vale do Mel FM transmitindo da pequena Irati para o grande Paraná!”

Em 1998, devido ao aumento da potência e alteração de classe concedida pelo Ministério das Comunicações, a frequência modulada se transforma de 89,9 MHZ em 100,7 MHZ e o canal 210 passa para 264.

No dia 23 de abril de 2004, um acidente automobilístico interrompe a vida de Julio Cezar Lisbôa, e a Vale do Mel FM passa a ser dirigida por Tânia Lisbôa, que administra a rádio até os dias de hoje.
Quanto à grade de programação, a Vale tem um compromisso com a seleção musical e cada programa tem características singulares, para agradar os mais diversos gostos musicais.

Cultura FM

A Rádio Cultura FM 87,9 entrou no ar ainda em caráter experimental no mês de novembro de 2006. Mas, foi no dia 15 de abril de 2007 que passaria a operar em caráter definitivo, considerado, portanto, seu nascimento oficial.


O que difere uma rádio de concessão comunitária das demais (comerciais e educativas) é em primeiro lugar a sua potência (25W) e o seu raio de alcance que normalmente fica limitado apenas a cidade onde se situam. “Apesar da limitação de 25 watts de potência no FM para comunitárias no Brasil, com o site, conseguimos expandir nosso alcance para qualquer pessoa no mundo com acesso a internet, inclusive em celulares", conta Leonardo Schenato Barroso, Comunicador Social da rádio.

Também há restrição com relação à publicidade, só é permitida a veiculação na forma de apoio cultural. A rádio comunitária pertence a uma associação, sendo assim, não possui proprietário.

A Cultura FM busca uma programação diferenciada, voltada principalmente para o público adulto, exigentes em termos musicais, porém não se trata de um público elitizado. Com relação à programação musical, o foco é o chamado flashback, ou seja, a música do passado. “Principalmente os hits dos anos 70, 80, 90, tendo em alguns horários também, como é o caso do ‘Cultura Classic’, músicas que passam também pelas décadas de 50 e 60. Além disso, os últimos lançamentos do gênero adulto, sem contar um grande espaço que é dedicado à MPB”, explica Michelangelo Gumiero, Diretor Artístico da emissora.

Rádio: Companheiro para todas as horas

Muitos acreditavam que com a chegada da televisão, o rádio perderia espaço e até chegaria a desaparecer, mas as emissoras superaram as dificuldades e se adaptaram às novas tecnologias. Segundo a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), em 2013, o país tinha aproximadamente 9,4 mil emissoras de rádio em funcionamento, incluindo emissoras comerciais AM e FM e rádios comunitárias. O número é mais que o dobro do registrado há dez anos.

João Maria trabalha na Rádio Difusora há 56 anos, é o radialista com mais tempo de serviço em uma mesma emissora. Ele conta que desde a época em que começou a trabalhar na radiofonia, muita coisa mudou. “A maneira de trabalhar, de fazer o rádio, por exemplo, para transmissões externas, os cabos eram físicos, você tinha que puxar os fios do microfone. Hoje não, tudo é sem fio. Essa é uma demonstração rápida da evolução do sistema de transmissão”, conta.

A pesquisa da Abert também aponta que o número de aparelhos de rádio convencionais passa de 200 milhões no Brasil, além de 23,9 milhões de receptores em automóveis e do acesso por aparelhos celulares, que somam cerca de 90 milhões. Isso sem falar no acesso às emissoras pela internet, por meio de computadores e smartphones.

Para chegar aos ouvintes o rádio se transformou, aproximadamente 80% das emissoras do país já transmitem sua programação pela rede mundial de computadores, ou seja, o rádio está se adaptando às novas tecnologias para disputar o mercado altamente competitivo da informação e do entretenimento e assim continuar sendo o companheiro do ouvinte nas mais variadas situações.

A missão do rádio


Antônio Toti Colaço Vaz – Difusora AM: “Todos os meios de comunicação são importantíssimos em um regime democrático. O rádio é um dos instrumentos pioneiros dos meios de comunicação, por isso eu acredito que ele contribuiu e contribui muito para o desenvolvimento da nossa comunidade. O objetivo da Difusora AM é ser uma rádio aberta para todos os segmentos da sociedade. Estamos à disposição da nossa comunidade, as pessoas podem e devem se valer da emissora para resolver os problemas de ordem pessoal ou coletiva”.



Jussara Harmuch – Najuá AM e FM: “Desde o começo, a Rádio Najuá AM e depois a FM, priorizam a participação da população. Essa foi uma filosofia implantada por meu pai, Nagib Harmuch, e que perdura até os dias de hoje dentro da emissora. Os programas sempre são voltados para atender as necessidades da população, para dar voz ao povo”.





Tânia Lisbôa – Vale do Mel FM: “O público procura entretenimento no rádio, como uma forma de esconjurar o cansaço de suas vidas. As pessoas ligam o rádio para se divertirem. Tão estimulante é para o ouvinte, a sensação de bem estar provocada pelas vozes que vem do estúdio e chegam a ele em sua casa, empresa, local de trabalho e ou pela internet. As pessoas ligam o rádio para melhorarem o ânimo”.





Ana Paula Schreider/Hoje Centro Sul