Dia Mundial do Rim alerta para a prevenção de problemas renais - Jornal Iratiin

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sábado, 28 de março de 2015

Dia Mundial do Rim alerta para a prevenção de problemas renais

Insuficiência dos rins atinge cerca de 10% da população mundial. Entre as principais causas estão pressão alta, diabetes e alimentação rica em sal


O Dia Mundial do Rim foi comemorado no dia 12 de março. No último domingo (22), a Prefeitura Municipal de Irati e a Clínica Renal Iraty realizaram um passeio ciclístico pelas principais ruas da cidade, com o intuito de alertar a população para a prevenção de doenças renais e cuidados com o rim.

Rins saudáveis são essenciais para o bom funcionamento do corpo humano. Suas principais funções são eliminar toxinas e dejetos do metabolismo corporal, como uréia, creatinina e ácido úrico; eliminar o excesso de água, sais e eletrólitos do corpo, evitando o aparecimento de inchaços e aumento da pressão arterial, e atuar na produção de alguns hormônios, como eritropoetina, vitamina D e renina.
Quando algumas doenças começam a se manifestar e o órgão começa a trabalhar de forma insuficiente, diz-se que a pessoa começa a sofrer de insuficiência renal. A doença atinge 10% das pessoas em todo o mundo e, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), metade da população com 75 anos ou mais tem doença renal crônica em diferentes estágios. As principais causas da doença renal em adultos são pressão alta, diabetes e alimentação rica em sal.


@Kyene Becker/Hoje Centro Sul
@Kyene Becker/Hoje Centro Sul

Convivendo com o problema

A descoberta da insuficiência renal, na sua forma mais avançada, geralmente causa espanto nos pacientes. Segundo a assistente social da Clínica Renal Iraty, Cirlene Konceruk Konopka, na maioria dos casos, os pacientes descobrem a doença quando já perderam as funções renais. “Eles chegam assustados na maioria das vezes, pois, quando descobrem o problema, já não tem outro tratamento possível, a não ser a hemodiálise. Geralmente, eles chegam de encaminhamento da emergência. Como muitos não conhecem o processo ou ouvem falar inverdades sobre o tratamento, o baque acaba sendo muito grande, então, é todo um percurso para explicar como o procedimento funciona e orientar o paciente”, afirma.

A Clínica Renal Iraty foi inaugurada em 2003 e, atualmente, atende 84 pacientes, sendo 82 para hemodiálise e 2 para diálise peritonial - em que o próprio paciente, com o auxílio de um familiar, pode fazer o procedimento em casa. A clínica passou por uma ampliação no final de 2012, aumentando o número de vagas para atendimento e proporcionando maior conforto aos pacientes. Ao todo, a instituição atende nove municípios da região Centro Sul do Paraná.

Cirlene ressalta que o intuito dos funcionários da clínica é proporcionar um ambiente agradável ao paciente e aos familiares. “Nós procuramos não pensar pelo lado negativo. Queremos mostrar sempre que aqui eles possuem apoio, queremos que eles se sintam bem aqui. Por isso, sempre realizamos comemorações em datas especiais e organizamos amigo secreto. Muitos gostam de vir pra cá, porque se sentem em casa”, completa.

Darci Ruppel é paciente da clínica há 7 anos. O morador de Rebouças conta que soube do problema renal durante uma visita ao médico de rotina, que o encaminhou com urgência para um nefrologista (médico especialista dos rins). Segundo ele, o susto não foi tão grande, pois os médicos já o prepararam para o tratamento. “Quando cheguei aqui, já estava com a fístula, então, foi tudo mais rápido e eu encarei tudo de maneira mais natural. Além do mais, aqui na clínica somos tratados como filhos. Me sinto muito bem e gosto de vir aqui”, explica.

Ele ressalta que o apoio da família é essencial para o bom andamento do tratamento e garante que a hemodiálise traz maior qualidade de vida para o paciente. “Eu tenho problema de visão por conta da diabetes. Lá em casa, tem uma moça que cuida de mim. Além dela, tenho o apoio dos irmãos e de toda a minha família. É importante você saber que as pessoas estão ao seu lado e vão te auxiliar no que for preciso. Dessa maneira, é mais fácil encarar o tratamento e ver tudo isso de forma natural. Eu procuro orientar as pessoas e explicar sobre a hemodiálise. Com o tratamento, a tendência é que você se sinta melhor e tenha mais qualidade de vida”.

Darci, que também está na fila para o transplante, ainda destaca que o tratamento é algo natural para ele e não se deixa vencer pelas dificuldades. “Com o passar do tempo, vamos tendo uma ou outra dificuldade. É a sequência natural da vida. Vez ou outra eu fico triste por conta da dificuldade visual, já que gostava de pescar e fazer minhas coisas. Porém, a hemodiálise já é algo natural e não fico triste de maneira alguma. No início é difícil, mas depois você acostuma”, diz.

O iratiense João Roberto Bacil Rodrigues também é paciente da Clínica Renal Iraty. Ele enfrenta problemas renais desde 2000, quando iniciou um tratamento para tentar impedir a insuficiência do órgão, que não teve sucesso. Em 2002, João iniciou o procedimento da hemodiálise em Guarapuava, três vezes na semana. Segundo o iratiense, a rotina era cansativa e com a clínica em Irati, tudo ficou mais fácil. “Era muito complicado antes, era cansativo, perdíamos o dia todo em outra cidade e só chegávamos em casa à noite. Com a Clínica aqui em Irati, as coisas ficaram melhores, é mais cômodo e menos cansativo”, afirma.

João explica que quando descobriu o problema, ficou abalado, porém, hoje em dia, convive bem com a doença. “No começo, mexe muito com o seu psicológico e você não aceita de jeito nenhum. Você não pode trabalhar, então, precisa ocupar a cabeça com outra coisa. Tem todo um processo de adaptação, principalmente na alimentação. Como seu rim não funciona, seu corpo não libera todos os dejetos e toda a água, logo, você fica mais inchado. E quanto mais inchado, pior é o tratamento. Então, você precisa se acostumar com uma alimentação mais restrita de líquidos”, ressalta.

O iratiense já recebeu dois transplantes, porém, seu corpo rejeitou o novo órgão. Para ele, o apoio da família se torna essencial. “Eu recebi a primeira doação da minha mãe, fiquei anos com o órgão, mas o corpo rejeitou. Há 11 meses, fui transplantado novamente, mas o corpo não respondeu bem. Eu acho que o apoio da família é primordial. A minha, por exemplo, fica me cobrando pra eu me cuidar. Inclusive, sou casado com uma transplantada. Nos conhecemos aqui na clínica, durante o tratamento de hemodiálise. Então, ter uma estrutura é sempre muito importante”.

Apesar das dificuldades, João encara o problema com alegria e disposição. “Eu não me deixo abalar. Sempre estou fazendo cursos e tentando fazer algo novo, é meu modo de ter motivação na vida. Não é fácil conviver, mas você precisa aprender. Eu não me considero doente. Doente, pra mim, é aquela pessoa que está de cama e eu, ao contrário disso, passeio bastante e sempre faço minhas coisas”, completa.

Desinformação
A assistente social da Clínica Renal Iraty, Cirlene Konceruk Konopka, explica que mesmo com a gravidade do problema e com constantes campanhas de prevenção, a desinformação ainda é grande. “A gente percebe que, quem tem mais informação sobre a doença renal e sobre o tratamento, aceita e encara melhor o problema. Porém, infelizmente, esse número de pessoas ainda é pequeno. Muitas pessoas ainda possuem dúvidas, algumas até pensam que o rim vai voltar a funcionar. A população não está bem informada, muito se fala sobre coração, pulmão e outros órgãos, mas acabam esquecendo do rim, que é tão importante quanto”, afirma.
Ela destaca que a Clínica tem trabalhado em função da prevenção dos problemas renais. “A semana de prevenção é muito importante, pois podemos levar informações corretas para as pessoas. Queremos trabalhar para que as pessoas não precisem chegar ao ponto de ter que enfrentar uma hemodiálise. Nesse sentido, focamos muito nas informações repassadas às crianças, pois elas também encaminham essas mensagens aos pais. Também realizamos blitz e montamos uma tenda, prestando maiores esclarecimentos sobre o assunto”.

Kyene Becker/Hoje Centro Sul