Francês e brasileira opinam sobre atentados terroristas na França - Jornal Iratiin

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Francês e brasileira opinam sobre atentados terroristas na França

Hubert Rault tem as bandeiras do Brasil e 
da França pintadas no muro de sua 
residência em Irati, Pr
Foto: Kyene Becker/ Hoje Centro Sul

Hubert Rault mora em Irati há 13 anos e Daniele Gomes reside na França há quase 2. Eles falam sobre a reação a respeito dos ataques em Paris, na última semana

Os atentados terroristas em Paris, na última semana, abalaram muitos franceses e brasileiros que residem na França. Os ataques à sede do jornal satírico ‘Charlie Hebdo’, a uma policial francesa e a um mercado em Paris deixaram 17 mortos. Até o momento, três suspeitos foram mortos após confrontos com a polícia.

O clima de tensão ainda continua e os franceses ainda temem novos ataques. A equipe do Jornal Hoje Centro Sul conversou com exclusividade com um francês que mora em Irati há 13 anos e com uma brasileira que está em Paris. Eles contaram como se sentiram em relação aos ataques e relatam a apreensão quanto a novos atentados.

Foto: Arquivo pessoal
A brasileira Daniele Gomes mora em Paris há quase dois anos com o marido francês e os filhos. Segundo ela, os franceses continuam com a rotina normal, mas ainda temem por novos ataques. “Eles não demonstram os sentimentos assim como nós brasileiros. Eles não mudaram a rotina e estão unidos em solidariedade à imprensa. Porém, eles estão apreensivos com o futuro e chocados com tudo o que aconteceu. Nós estamos com medo de novos atentados, pois existe um grande grupo por trás dos dois irmãos terroristas, mortos no dia 09. Não sabemos como eles irão reagir a isso”, explica.

O francês Hubert Rault trabalha como técnico de manutenção em Irati desde 2002. Ele conta como reagiu ao saber dos atentados em Paris e alega que o fanatismo foi o culpado pelos ataques. “O Charlie Hebdo é um jornal apolítico e satírico. Eles fazem brincadeiras com todas as pessoas, de todos os tipos. Não acho que a culpa seja de uma religião ou pessoa. A culpa é do fanatismo. Tudo o que é extremo demais não é bom. Minha família mora em lugares mais calmos, longe dos ataques. Porém, é natural que fiquemos preocupados”, afirma.

Segurança
O francês Hubert Rault destaca que o policiamento na França é um ponto forte do país. “Eu me sinto seguro andando nas ruas da França. Em Paris, existem policiais em todos os lugares. Para onde você olhe, você vê um policial. Eu acho que a segurança de lá é melhor do que no Brasil. Na França, a polícia segue uma lógica: ou prende ou mata. Se você fez algo errado lá, a polícia não desiste de te perseguir, até que consiga realizar a prisão”, ressalta.

Para a brasileira Daniele Gomes, muitas das mortes nos atentados poderiam ter sido evitadas caso houvesse uma melhor prevenção. “Eu acho a França um país seguro. Mudei para cá em busca de saúde, educação e segurança para meus filhos. Porém, eu acho que a polícia falhou na prevenção a esse tipo de ataque. Os terroristas conseguiram armas ilegalmente e circularam pela cidade sem serem parados. Se os policiais tivessem tido um maior cuidado com essas pessoas, com certeza os atentados não teriam acontecido. Depois dos atentados, a polícia agiu de forma cautelosa, mas mesmo assim, 17 pessoas morreram”, completa.

Manifestações
Após os atentados terroristas que fizeram 17 vítimas na França, uma grande manifestação pedindo democracia e liberdade de expressão foi organizada no país. A manifestação, que aconteceu no último domingo (11), reuniu cerca de 3,7 milhões de pessoas na França. A multidão carregava cartazes de apoio e gritava slogans como “Vive la Françe” (Viva a França) e “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie).

O francês Hubert Rault ressalta que a manifestação de domingo teve como base uma reivindicação antiga dos franceses: o direito pela liberdade. “A França é um país democrático e aquilo que eles pediram na manifestação, é algo que está sendo pedido há tempos. Eles querem o direito de se expressar sem serem atacados por isso. Se você acompanhou a cobertura da manifestação, viu que pessoas de várias nacionalidades e religiões estavam lá. Isso de dizer é assim e pronto não está funcionando mais”, finaliza.


Texto: Kyene Becker/ Hoje Centro Sul