Moradores de asilos e abrigos sociais comemoram o Natal de forma alegre - Jornal Iratiin

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Moradores de asilos e abrigos sociais comemoram o Natal de forma alegre

Mesmo com a distância da família, crianças, adolescentes e idosos moradores do Lar dos Velhinhos, em Rio Azul, e da Cidade da Criança, em Irati, recebem presentes e carinho nessa data especial
Dezembro chegou. E junto com ele, a magia do natal. O clima natalino já invadiu os lares e os corações das pessoas. A proximidade do Natal atrai diversos sentimentos, principalmente os de aproximação familiar. Desavenças, brigas ou problemas familiares são, geralmente, esquecidos nessa época do ano. No entanto, comemorar o Natal longe da família é uma realidade para muitas pessoas, como os moradores de asilos ou crianças e adolescentes afastados dos pais pela Justiça.


Arquivo pessoal
 Nessa semana, a equipe do Jornal Hoje Centro Sul conversou com Juana Ferreira de Lara, 79 anos, moradora do Lar dos Velhinhos de Rio Azul e com os pais sociais e padrinhos da Cidade da Criança de Irati. Eles contaram como é a festa de Natal nesses lugares, demonstrando que, apesar da distância da família, crianças, adolescentes e idosos recebem carinho e muitas alegrias nessa data especial.

Lar dos Velhinhos

O Lar dos Velhinhos de Rio Azul foi fundado em 1985 e completou 29 anos de funcionamento neste ano. Atualmente, o Lar abriga 30 idosos. Juana Ferreira de Lara, 79, mora no Lar dos Velhinhos há quase dois anos. Juana tem seis filhos e nasceu no município de Rio Azul. Ela morou a maior parte da vida na localidade rural Taquari e explica que se mudou para o Lar, por vontade própria, após três visitas. “Eu vim visitar o asilo umas três vezes antes de mudar, vinha sempre ver se tinha vaga. Meus filhos moram longe e eu morava sozinha. Eu achava que ficava incomodando os outros parentes e vizinhos e, por isso, decidi vir para cá”, diz.

Esse é o segundo Natal que ela irá festejar no asilo. Segundo ela, as festas são sempre muito animadas e os moradores recebem visitas e presentes de voluntários. “Nós ganhamos bastantes presentes. Muitas pessoas vêm nos visitar. Nessa data, eles passam filmes, conversam com a gente, nos dão carinhos, nos alegram. Não temos do que se queixar”. Segundo ela, o cardápio da festa de Natal é bastante diversificado e saboroso. “Nós podemos comer panetone e pão de mel. O almoço é especial e eles servem lasanha, refrigerante, todos os tipos de carne. É tudo muito gostoso”, completa.

Arquivo pessoal
Juana conta que um dos momentos mais especiais no Natal é a apresentação do teatro e a visita do Papai Noel. “Ano passado, o Papai Noel veio nos visitar e trouxe presentes. Outra coisa que eu achei muito linda no Natal passado foi a apresentação do teatro. Eles apresentaram a história do menino Jesus. Eu me emocionei, porque lembrei dos meus filhos”, relata. Nesse Natal, Juana destaca que gostaria de ganhar de presente os CDs dos seus cantores favoritos. “Se eu pudesse escolher, nesse Natal gostaria de ganhar os CDs dos meus cantores favoritos. Você sabe quais são? Um é o Gerson Rufino e o outro é o Barony, eles são cantores da minha igreja. Eu queria poder ir para São Paulo pra comprar os CDs deles, ia ser a maior alegria”.

Sobre passar o Natal longe da família, ela garante que não tem tristeza. “Não fico triste em não passar essa data com a família. Eu gosto muito das pessoas que trabalham aqui, elas nos dão atenção, carinho e nos tratam muito bem”, afirma. A responsável pelo Lar dos Velhinhos de Rio Azul, Efigênia Meiborg, explica que muitos moradores se sentem deprimidos nessa época do ano, mas os trabalhadores e voluntários do Lar tentam trazer diversão aos idosos. “Nosso intuito é proporcionar diversão a eles. Por isso, sempre buscamos parcerias para alegrá-los. São várias as pessoas que vêm aqui e trazem presentes. Os moradores parecem crianças. Nós nunca deixamos passar em branco, porque são poucas as pessoas que ainda possuem algum vínculo com a família”, ressalta.

Cidade da Criança

A Cidade da Criança é um abrigo social para crianças e adolescentes que, por algum motivo, foram afastados dos pais pela Justiça. Nesse local, eles vivem com pais sociais, pessoas que ficam responsáveis por cuidar deles, até uma decisão oficial da Justiça.

Rosana Soares e Ederson Fernandes Camargo são pais sociais desde março de 2014. Eles conheceram a Cidade da Criança através de um amigo que já trabalhava no local. Esse é o primeiro Natal que eles irão comemorar com as crianças e adolescentes pelos quais são responsáveis. Segundo eles, a expectativa dos jovens é grande. “Cada criança tem uma reação, mas todas estão esperando o Papai Noel e ficam perguntando pelos presentes. Nós esperamos que esse Natal tenha bastante festa e alegria para eles”, conta Rosana.

Ela ainda comenta que as festividades se intensificam durante o mês de dezembro. “Aqui sempre tem festas e eventos, mas em dezembro, tudo aumenta. Todo final de semana tem alguma coisa, sem falar na decoração especial de Natal”. Ederson ressalta que durante esse período, muitas crianças perguntam pelos pais, porém, como são poucos os que ainda possuem algum vínculo com os familiares, acabam se acostumando com a ausência. “A maioria é muito pequeno, então, acaba nem lembrando. Apenas alguns comentam e dizem se sentirem tristes pela ausência. Mas nós procuramos dar todo o amor e carinho de que eles necessitam. Eles são muito carentes e precisam de atenção. Somos uma família de verdade, dá vontade de pegar pra gente. Eu não sei como vamos reagir quando um deles for embora, porque acabamos nos apegando muito. Uma das nossas crianças, por exemplo, nos chama de pais”, destaca.

Programa de Apadrinhamento Afetivo

O abrigo Cidade da Criança conta com o programa de Apadrinhamento Afetivo. Apadrinhar afetivamente uma criança significa permitir que a criança ou adolescente passe algum tempo do dia ou da semana com você. Entretanto, o apadrinhamento não implica em nenhum tipo de vínculo jurídico.

Dessa forma, o padrinho ou madrinha pode escolher lugares para passear ou realizar outras atividades com o seu afilhado. Assim, a pessoa participa efetivamente da vida da criança ou adolescente.
Vera Lúcia Machado é madrinha de Débora* há 10 anos. Ela conta que Débora começou a frequentar sua casa com 4 anos de idade. Hoje, a adolescente tem 14 e participa de todas as reuniões familiares da madrinha. “Durante todo esse tempo, ela já voltou a morar com os pais e acabou retornando ao abrigo. Mas, independente disso, nós continuamos ajudando ela. Ela não é uma visita aqui em casa, ela é parte da família. Hoje em dia, todos da minha família são padrinhos e madrinhas da Débora”, destaca. Vera ainda diz que a amizade entre a adolescente e a família é muito grande. “Nós temos uma amizade muito grande. Ela passa as férias aqui, viaja com a gente. A Débora, quando chega na minha casa, fala que está em casa e diz que sou a segunda mãe dela”.

A madrinha Vera Lúcia relata que Débora comemora o Natal com sua família há 10 anos. “Ela passou todos os natais com a gente, mesmo durante o tempo que voltou a morar com a família dela. As festas são sempre muito divertidas. Eu tenho outras três filhas e se eu compro um presente para elas, a Débora ganha igual. Nós tentamos fazer com que ela se sinta acolhida e em família. Apesar de sermos uma família, nós não sabemos como foram os natais passados, se eles tiveram amor e carinho, se foram difíceis. Então, temos toda essa preocupação”, completa.

Nesse Natal, a família da madrinha Vera Lúcia irá contar com mais um integrante. “No apadrinhamento desse ano, todas as crianças e adolescentes foram escolhidos, menos o Carlos*. No dia em que eles foram conhecer os padrinhos e madrinhas, ele estava sozinho. Então, eu decidi que além da Débora, o Carlos também vai passar o Natal conosco. Nós estamos bastante ansiosos pela comemoração desse ano”, diz Vera Lúcia.

Ela ainda alerta os padrinhos e madrinhas do projeto para que não esqueçam que o clima do Natal deve perdurar. “Nós falamos muito do Natal e das datas festivas. Porém, temos que lembrar que a magia do Natal deve continuar, que todos esses sentimentos bons e essa ajuda podem e devem perdurar o ano todo”, finaliza.

*Os nomes foram modificados para preservar a identidade das crianças.

Kyene Becker/ Hoje Centro Sul