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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Riscos que a direção perigosa oferece

Sindicância é instaurada pela Prefeitura Municipal de Irati


A partir da reportagem investigativa do jornal Hoje Centro Sul, que registrou as infrações de trânsito cometidas por motoristas do ônibus da saúde de Irati que leva pacientes a Curitiba, será instaurada uma sindicância pela Prefeitura Municipal de Irati para averiguar o caso.

O secretário de Administração, Paulo Ramos, confirma que a reportagem, em que constam depoimentos de usuários do transporte, e o vídeo produzidos pelo jornal,  que mostra as ultrapassagens perigosas e a alta velocidade do ônibus na BR-277,  servirão como provas da denúncia. “Todos esses fatos só foram chegar ao nosso conhecimento através da reportagem,” afirma Paulo Ramos.
Também deverão ser utilizados para a análise do caso pela comissão de sindicância o tacógrafo do ônibus e  o diário de bordo em que consta o nome do (s) motorista(s) flagrado(s) cometendo infrações. Além disto,  testemunhas serão  convocadas para prestar depoimento durante a sindicância.

Sem título 3 capaA reportagem causou repercussão na comunidade iratiense, e também na administração municipal. No último dia 23, o secretário municipal de Saúde, Anderson Sprada, publicou um esclarecimento no site do Hoje Centro Sul, como pronunciamento oficial:

“O fato dos motoristas terem ultrapassado limites de velocidade é inquestionável, porém os mesmos possuem mais de 15 anos de trabalho no mesmo trajeto. É claro que o excesso de velocidade não se justifica. Já providenciamos um motorista para realizar o trajeto; solicitamos os discos do tacógrafo das datas apuradas, implantamos o registro diário do tacógrafo para impedir alterações como troca de disco, neste final de semana  [dias 26 e 27]  implantaremos um limitador de velocidade, dentre outras atitudes. Graças a Deus nada de mais grave aconteceu. Estamos agindo”, escreveu Sprada.
Depois da reportagem, o secretário de Administração diz que algumas pessoas o procuraram na tentativa de defender o motorista, porém, dentre eles, alguns não negaram o excesso de velocidade. “Alguns usuários disseram: o excesso de velocidade acontece, porque nós viajamos num horário bem de madrugada, onde normalmente o asfalto tem pouco trânsito, mas que nunca se sentiram em risco por isso,” conta Ramos.

Os usuários que não se sentem em risco apesar das perigosas ultrapassagens registradas e da velocidade excessiva durante a madrugada, poderão testemunhar na sindicância aberta pela prefeitura, bem como aqueles passageiros que entendem o risco de um veículo grande transitar numa rodovia federal com tal imprudência.
A sindicância estudará o caso durante os próximos 30 dias e recomendará a Secretária de Administração da Prefeitura Municipal de Irati as ações a serem tomadas com o(s) funcionário(s).

Poucos minutos a mais de viagem são necessários para se respeitar o limite de velocidade

Quanto de tempo a mais duraria uma viagem para que um veículo que trafega em excesso de velocidade, por exemplo, a uma média de 120km/h, viajasse dentro do limite de 90km/h?
Para responder esta pergunta, a equipe do Jornal Hoje Centro Sul consultou um professor de física. Segundo o professor, Ernani Pedro Ramos, o cálculo é feito da seguinte forma: velocidade média é igual delta de espaço sob delta de tempo.
Exemplo:
Caso um ônibus percorra 174 km, distância de Irati à Curitiba, em uma velocidade de 90km/h, que é o permitido por lei, o tempo de percurso é de 1h44min.
Caso um ônibus percorra a mesma distância (174 km), em uma velocidade de 120km/h, o tempo até a chegada é de 1h27min.
A diferença é de apenas de 17 minutos.k-264 

 




Modo de conduzir um veículo  pode causar problemas mecânicos


As condições do ônibus da Secretaria Municipal de Saúde também têm gerado reclamações. Segundo passageiros, o ônibus apresenta problemas mecânicos rotineiramente.
MOTOR DE ONIBUSA Prefeitura Municipal de Irati adquiriu este coletivo em 2012 e investiu cerca de R$195 mil na compra do veículo, modelo Volkswagen Induscar GIR 210, ano 2005. Com nove anos de uso, o coletivo não é considerado antigo. Segundo o mecânico, Amauri de Andrade, que trabalha em uma oficina há mais de 35 anos, a ocorrência de falhas mecânicas depende das condições em que o veículo é utilizado, como estrutura das vias e manutenção.
De acordo com Andrade, a principal causa para problemas no motor, por exemplo, é a falta de cuidado na manutenção. “É preciso sempre estar atento ao filtro de gasolina e de ar, colocar água no reservatório, fazer a troca de óleo. Se não cuidar disso o motor vai estragar”, explica.
Além disso, a maneira de conduzir o veículo também influencia na parte mecânica. “Se passar nos buracos muito rápido pode quebrar a caixa de suspensão. Se o carro está em uma velocidade alta e pisa no freio de repente, acaba forçando e desgastando as pastilhas e de freio”, afirma.
Manutenção periódica
Apesar das reclamações populares de que o ônibus Volkswagen, ano 2005, utilizado para o transporte de pacientes a Curitiba, “quebra” constantemente, a coordenadora do setor de transportes da Secretaria Municipal de Saúde de Irati, Denise Perek, informa que o veículo passa por revisões periódicas.
Segundo ela, a manutenção completa foi feita em 2013. “Nós gastamos mais de R$60 mil nesse ônibus. Foi feito tudo novo, caixa, motor, suspensão. Os pneus são trocados, dois jogos por ano”, afirma. Além disso, Denise ressalta que a manutenção do coletivo é feita toda semana.

Tacógrafo: para que serve?


O tacógrafo é o equipamento que registra instantaneamente a velocidade de um veículo, a distância percorrida por ele e o tempo em que permaneceu parado. Segundo o Código Brasileiro de Trânsito, é obrigatório o uso desse equipamento em veículos que pesam acima de 19 toneladas, em veículos de carga que têm mais de 4,536 toneladas, em veículos de condução escolar e naqueles de passageiros com mais de dez lugares, como ônibus e vans.
IMG_7249Existem diversos modelos do aparelho, com registros diários ou semanais. Os tacógrafos mais modernos são digitais e possuem sensor na roda do veículo ou no próprio câmbio. Já os mais antigos usam cabos tipo VDO. Os modelos mais usados atualmente são os VDO 1390 e VDO 1318, com sistema eletrônico.
O disco de papel, também chamado de diário ou diagrama, precisa ser preenchido manualmente antes da partida com: a data, o horário de saída, o destino da viagem, a placa do automóvel,  o nome do condutor, a quilometragem atual do veículo.  Na chegada, novamente a quilometragem do veículo tem de ser anotada. Como as informações são preenchidas manualmente, há margem de vulnerabilidade do sistema para adulterações.
Segundo o proprietário da empresa Out Service Peças, especializada em tacógrafos, Emerson Letchacoski, os aparelhos VDO 1318 e 1390 não possuem memória. “Nesses tacógrafos, se não colocar o disco perde o registro, pois não grava. Então, para uma fiscalização, entra a pessoa que controla a frota”, afirma.
Aferição periódica  precisa ser feita
É necessária a aferição do tacógrafo periodicamente, por meio da calibração, para conferência da legitimidade do aparelho. “Quando a agulha está bem calibrada fica em cima do zero. É por aí que vê se o tacógrafo está em condição de funcionamento correto”, diz.
No momento em que a aferição está sendo feita, a regulagem leva em conta o diâmetro do pneu e a relação caixa x câmbio do veículo. Caso os pneus sejam trocados, por exemplo, e uma nova regulagem não seja feita, o tacógrafo irá registrar erroneamente a velocidade.
Além disso, em modelos mais antigos, há outras formas de alterar a velocidade registrada pelo aparelho, como calçar a agulha, entortá-la na marca desejada, usar um pedaço de plástico ou até mesmo filtro de cigarro.
No caso do modelo MTCO 1390 é difícil fazer modificações no tacógrafo, mas pode alterá-lo com o equipamento específico de regulagem. “O acesso desse modelo é remoto e as regulagens são feitas apenas em bancada e programação”, conta.IMG_7258-Cmyk
 

 

 

 

 

 

 

Problema é antigo!

O internauta Edilson Garcia informou, no site do Hoje Centro Sul, que já havia registrado em 2012 irregularidades similares às denunciadas pelo jornal:
“O fato que o ônibus esta cheio de gente, e o motorista cometeu infração de trânsito, independente de que usa ou não o transporte, eu não uso e espero jamais usar, mas, gente pelo amor de Deus, com vidas não se brinca. Em 2012 eu estava indo de manhã para Curitiba (não me recordo a data) e esse mesmo ônibus estava em alta velocidade, na época filmei com o celular e tentei um contato com o setor responsável da prefeitura ( a gestão era outra) para denunciar, porém sem sucesso. Não interessa se o condutor tem prática ou não, se está a mais de 20 anos no volante, tem que ter respeito e seguir a legislação de trânsito que está em vigor e limita a velocidade. Todos sabem que a BR-277 é o corredor da morte, será que é preciso acontecer algo, um acidente grave com mortes, para que esse condutor respeite a sinalização da via e diminua a velocidade?”, escreveu Edilson Garcia.

Direção defensiva é recomendação de especialistas


Acidentes no trânsito ocorrem por diversos fatores, tais como desrespeito à sinalização, velocidade excessiva, e imprudência nas ultrapassagens.
Roni Surek, chefe do Departamento de Trânsito (Detran) de Irati, orienta que toda sinalização deve ser respeitada, pois são ferramentas que previnem acidentes, principalmente nas ultrapassagens. “Tem locais que tem a total visualização da faixa continua, devagar que há possível neblina, curva perigosa, e mesmo assim os motoristas contam muito com o fator sorte,” afirma Roni. “Dali a pouco acaba não dando tempo,” diz.
O artigo 32 do Código de Trânsito Brasileiro prevê que o condutor não poderá ultrapassar veículos em vias com duplo sentido de direção e pista única, nos trechos em curvas e em aclives sem visibilidade suficiente, nas passagens de nível, nas pontes e viadutos e nas travessias de pedestres, exceto quando houver sinalização permitindo a ultrapassagem.
A penalidade para o caso de ultrapassagem em local proibido é gravíssima, configurando-se em multa de 7 pontos na CNH.
Para Mariza Pabis, examinadora do Detran de Irati, o motorista não pode contar com a sorte no momento da ultrapassagem. “Eu parto do princípio: nunca vá na incerteza. Eu falo para os candidatos e para os alunos, gente, essa história de vai que dá sempre dá coisa errada,” orienta Mariza.
Segundo Mariza Pabis, a sinalização existe para ser obedecida, e não como um simples auxílio ao motorista. “São obrigatórias, previsto no código de trânsito brasileiro,” reforça Mariza.
Os especialistas em trânsito orientam que mesmo que o condutor do veículo conheça bem a rodovia, deve-se manter a cautela. “Com o transito nosso hoje, você tem que partir sempre da direção defensiva,” orienta Mariza. Ela também reforça que há toda uma engenharia de tráfego a ser obedecida, e que se deve manter a velocidade no limite de acordo com o veículo ou o exigido pela via.
No Código de Trânsito, o artigo 61 determina 110 km/h para automóveis, camionetas e motocicletas; 90 km/h para ônibus e microônibus; e 80 km/h para demais veículos. Se não for respeitada essa lei, a infração é considerada gravíssima, perdendo 7 pontos na CNH do motorista.
No caso de grandes veículos, por exemplo, o risco aumenta. Devido ao seu grande peso, esses veículos requerem mais tempo para frenagem, e atenção redobrados. “Pra você segurar uma carga pesada, desviar, é muito mais difícil,” afirma Mariza.
A direção defensiva é obrigatória a todos os motoristas, tanto aos que renovam a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) como para os que ingressam pela primeira vez na auto-escola.

Leis da Física ajudam a entender velocidade e tempo de frenagem


Ao ver as imagens do ônibus da saúde de Irati, registradas pelo Hoje Centro Sul, o professor de Física José Maria Fernandes Júnior, discorre sobre fatores como tempo de frenagem e velocidade.
“Podemos afirmar que a velocidade do ônibus é maior ou igual a do carro, portanto maior ou igual a 150 km/h”, afirma Fernandes [ao visualizar as imagens].
O físico ainda afirma que, na emergência de uma frenagem, quanto maior a massa, ou seja, o peso de um corpo, maior é a força necessária para fazê-lo parar. No caso do ônibus, além de seu peso bruto, há ainda o peso total dos passageiros.
“As grandezas envolvidas na frenagem são o coeficiente de atrito, esse tem relação direta com os estados dos pneus, e a junção entre o pneu e o asfalto, além disso, o estado de conservação do sistema de freios utilizado no ônibus, também influencia na força que os freios conseguem aplicar no ônibus para fazê-lo parar,” explica o físico.
Apesar destes fatores, é certo que um veículo grande e pesado, como um ônibus, demoraria mais do que um carro de passeio para conseguir frear caso surgisse um obstáculo - um animal na pista, ou outro veículo vindo em alta velocidade no sentido contrário no momento de uma ultrapassagem, por exemplo.  Esse aspecto deve ser determinante para  que o Código Brasileiro de Trânsito determine velocidades máximas menores para ônibus (90 km/h) e para caminhões (80 km/h).

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De Kaio Ribeiro e Luana Stadler

 

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