Brincadeira de adulto - Jornal Iratiin

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sábado, 2 de maio de 2015

Brincadeira de adulto

@Daniela  Obrzut Viante
Inspirada em sua infância, especialmente nas visitas a casa dos avós na Ilha de Arran, em Ayshire, na Escócia, que a ilustradora escocesa, Johanna Basford, criou duas obras que se tornaram sucessos mundiais de vendas. Os livros “Floresta Encantada” e “Jardim Secreto” são compostos por figuras monocromáticas que convidam as pessoas a colorir e também a participar de uma caça ao tesouro, atividade que promete, acima de tudo, desestressar.

Quem é que não tem saudade dos tempos de criança? Do pega-pega, do esconde-esconde, dos livros de colorir? Provavelmente, uma das maiores preocupações do dia era escolher uma cor de lápis para pintar a casinha do desenho. Até hoje, muitos adultos ainda guardam seus rabiscos como uma espécie de relíquia de um tempo que já se foi. Agora, a chance de reviver essa infância virou febre e quase não para nas prateleiras.

Daniela Obrzut Viante, 26 anos, nutricionista, sempre gostou de pintura. Quando mais nova fez cursos de pintura e mesmo com o passar dos anos continuou a pintar telas e alguns desenhos tirados da internet. Assim que Daniela conheceu o livro, logo gostou das linhas e modelos das gravuras. “Conheci o livro pelo Instagram de algumas blogueiras internacionais, não me lembro de quem exatamente, e logo comecei a seguir o Instagram da autora e gostei muito das gravuras que vi”, conta. Faz um mês que Daniela pinta os desenhos, e apesar de não ter percebido nenhuma mudança significativa em seu comportamento ou alívio de estresse, ela afirma que o livro é um ótimo passatempo. “Minhas amigas também estão com os livros, o que acaba gerando muito assunto”, conta.

Vinicius Raphael da Silva, 23 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo, ficou sabendo do livro devido à explosão que o mesmo teve na mídia. “Em todos os lugares se fala no tal livro de colorir, a minha irmã comprou o livro e foi inevitável participar da brincadeira”. Vinicius sempre foi muito ligado às artes, desde criança gosta de desenhar, pintar e fazer arte em geral. “O livro funciona mesmo como uma terapia, é uma forma de encontrar um tempo pra mim mesmo, num dia que muitas vezes é corrido e estressante. Pintar pra mim é uma atividade bem constante, eu não posso citar só o livro como melhora, mas quem sabe seja esse hábito que me confere a minha personalidade tranquila”, conclui.

Terapia!?
Segundo a psicóloga Bianca Gomes, especialista em arteterapia, a pintura proproporciona relaxamento. “Ao pintar, a pessoa pode liberar suas energias, a ansiedade, e também sua criatividade. A divulgação de um livro antiestresse na época em que estamos vivendo, com a crise econômica e também com os vários compromissos do dia a dia, vem como um convite para o relaxamento”, afirma.

Entretanto, segundo a psicóloga, o livro não funciona como terapia, pois esta é um tratamento complexo, bem mais profundo, realizado por profissionais especializados. “Ainda assim, o livro tem efeito terapêutico, uma vez que possibilita ao usuário um momento dedicado a si mesmo, proporcionando bem estar. A pessoa que colore o livro desloca a atenção que estava nos problemas do cotidiano para a pintura, e ao estar tranqüila, tem a possibilidade de uma resolução mais eficiente para seus conflitos”, ressalta.

Bianca ainda alerta para o exagero na hora de pintar. “O efeito será terapêutico para aqueles que gostam e sentem prazer em pintar, mas qualquer pessoa pode praticar essa atividade manual buscando bem estar, é importante apenas evitar os excessos para que a distração não se torne uma compulsão”, conclui.

Os livros
“Jardim Secreto”, com 96 páginas, e “Floresta Encantada”, com 84 páginas, ambos em formato brochura, custam em torno de R$30,00, estão disponíveis na livrarias  e também podem ser adquiridos via internet. Em Irati, na Centenário Sebo e Livraria a procura pelos exemplares dos livros de colorir está grande, mas eles estão esgotados. Segundo os funcionários, uma remessa já foi encomendada e está para chegar nos próximos dias.

Ana Paula Schreider/Hoje Centro Sul