Adrenalina e superação marcam a prática do Downhill em Irati - Jornal Iratiin

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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Adrenalina e superação marcam a prática do Downhill em Irati

Atletas iratienses já se destacaram em competições estaduais e hoje lutam por melhores condições para a prática do esporte

A bicicleta é um meio de locomoção que, além de não poluir o ambiente, também faz bem ao corpo.
A série sobre esportes alternativos do Hoje Centro Sul traz ao leitor uma modalidade diferente e radical de praticar o esporte.

O downhill, que literalmente significa descida de colina, é praticado comumente em serras e montanhas. O esporte é basicamente a capacidade de controlar a bike numa trilha íngreme, ultrapassando obstáculos naturais ou construídos, como pedras, rampas, valetas, curvas acentuadas, no menor tempo possível.
Em Irati o esporte começou a ser praticado em 2002, por ciclistas oriundos de modalidades como o cross country, variação praticada em terrenos menos acidentados, como estradas de terra.
Angelo Marcelo Kazubeck, um dos pioneiros do downhill em Irati, conheceu o esporte em Santa Catarina, um dos primeiros estados brasileiros a fomentar a prática de descida de montanhas em bicicleta.
O esporte exige muito da força e capacidade de concentração do atleta. Segundo Angelo Kazubeck, cada descida é uma vitória. “A cada descida você tem um risco de tombo, de machucar, mas todo esporte radical tem isso, faz parte da brincadeira,” afirma o ciclista. E ainda completa que para praticar o esporte, tem que começar aos poucos, e a primeira competição que se tem é consigo mesmo, superando os próprios limites.

Atualmente Kazubeck pratica o enduro, que inclui a subida tanto quanto a descida de montanhas, e é como uma junção do downhill com o cross country. “É bem interessante que, ao contrário do downhill que exige muito, muita técnica, muito treino, e muito risco para a pessoa, por exemplo, que trabalha, o enduro vem meio que pra suprir essa necessidade, porque é uma categoria radical, e não tem muita coisa de competição extrema, você vai superar teu limite também,” afirma o atleta.
Kazubeck ainda conta que Irati já foi referência no downhill, contando com uma das melhores pistas do Paraná. Segundo o ciclista, já houve campeonatos na cidade em que dos quase duzentos atletas competindo, sessenta eram de Irati. Porém, Kazubeck afirma que faltou apoio financeiro para o esporte continuar se fortalecendo.

O iratiense Julio César Kimpinski pratica o esporte há seis anos, e começou por influência dos amigos. Foi vice-campeão paranaense em 2009 e 2010, na categoria Júnior, e no mesmo ano, vice-campeão na categoria sub 30. Já torceu o tornozelo e rompeu o tendão num treino, mas para ele, não é motivo de parar com o esporte, pois a sensação de praticar o downhill é ímpar. “A adrenalina sobe, e não tem explicação, é o momento ali,” explica Julio Kimpinski.
O atleta também comenta a importância dos acessórios de segurança. O uso de capacete, chamado de fullface, joelheiras, cotoveleiras, luvas, e protetor cervical são essenciais para a prática do esporte.
Rafael Rodrigues Rogal e Michael Konoval Ribeiro são amigos dentro e fora das trilhas, e também já representaram Irati em competições estaduais. Para eles o esporte significa união. “É como se fosse uma fraternidade, não existe um inimigo do outro, são todos amigos,” comenta Michael Ribeiro.
Rafael Rogal, de 17 anos, começou no esporte por influência do pai, que possui uma bicicletaria. Há três anos praticando o downhill, sempre participou de campeonatos. Dos três paranaenses nos quais competiu, foi segundo lugar na categoria estreante 2012, e quarto no juvenil em 2013. Para o ciclista, tem que haver muita concentração no momento das competições.  “O que você tem que evitar na hora é o sentimento, o medo é a pior coisa,” diz Rogal.
Ele ainda comenta que a grande dificuldade que o esporte enfrenta na cidade é a falta de patrocínio. Já foi enviado um projeto de viabilização de um campeonato brasileiro em Irati, mas, segundo Rogal, por falta de verba ainda não aconteceu. Ele ainda ressalta que o espírito de união é obrigatório no esporte. “Galera que não quer mexer em pista não anda [em Irati],” comenta Rogal, devido à necessidade de zelar pela única pista da cidade, na chácara Gavlak, onde o dono cede gratuitamente o espaço aos praticantes do downhill, que construíram e mantém a pista utilizável.
Michael Ribeiro, campeão em 2012 da Copa Irati de Downhill, na categoria expert. acredita que o importante não é ganhar uma corrida, mas superar o próprio tempo. “Você tem um segundo para segurar no freio ou trocar de marcha e tentar manter o ritmo,” explica Michael.
O menino que começou pulando rampinhas feitas de tijolo e um pedaço de madeira quer ver o esporte se desenvolver na cidade. Michael Ribeiro salienta que um campeonato agrupa em média trezentos pilotos em quatro dias de competição, o que traria para Irati movimento nos restaurantes e hotéis.
Michael Ribeiro também diz que o esporte sofre com estereótipos, e os praticantes são comumente tachados como marginais, mas acha que se o downhill fosse divulgado e ganhasse mais espaço, as pessoas mudariam seus conceitos, pois é um esporte de superação e beleza de movimentos. “Eu acho que a forma física é muito mais marcante do que a forma verbal, e isso que a gente tenta mostrar sempre,” desabafa o ciclista.

Exemplos
Fábio Barby conheceu o downhill em 2001 e logo se tornou praticante. Foi, junto com Angelo Kazubeck, a primeira geração do downhill em Irati. Em 2005 Barby machucou o joelho e teve que abandonar o esporte. Como se sentia muito ligado ao downhill, comprou equipamentos fotográficos e passou a acompanhar o esporte como fotógrafo de competições, profissão que manteve durante 5 anos. “É a maneira que eu encontrei de ficar próximo ao esporte,” comenta Barby. Ele ainda conta que em sua época a maneira de construir uma pista era semelhante a que existe hoje, eles gastavam muito tempo e esforço fazendo a pista sozinhos.
Esse ano Fabio Barby voltou a praticar o downhill, mas com mais cuidado, pois teme outro acidente.
João Emerson Rogal, 42 anos, pai de Rafael Rogal, também é praticante do downhill.  Influência do filho, João Rogal conta que, antes de abrir sua loja de bicicletas, trabalhava em banco, e ia todo dia para o emprego de terno, gravata e bicicleta. Para ele a cena do downhill em Irati deve ser valorizada, e lamenta a falta de incentivos. “Se você não aparece na mídia o pessoal não colabora,” acrescenta João Rogal.

Texto: Kaio Ribeiro
Fotos: Kaio Ribeiro