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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Humanização reduz o tempo de permanência dos pacientes na UTI Neonatal de Irati



Humanização reduz o tempo de permanência dos pacientes na UTI Neonatal de Irati
A equipe multidisciplinar da Santa Casa de Irati trabalha para oferecer mais informações aos pais dos bebês, tranquilizando-os, o que tem resultados diretos na recuperação dos recém-nascidos




As Unidades de Terapia Intensiva (UTI´s) costumam ser lugares muito frios, em que os familiares dos pacientes não se sentem à vontade, nem conseguem ter acesso a informações esclarecedoras sobre o estado de seus entes queridos.  Na Santa Casa de Irati, a realidade não era diferente, até que a equipe multidisciplinar da UTI Neonatal e da Pediatria concluiu que era preciso fazer algo, um trabalho voltado para a humanização, que integrasse equipe do hospital e família em prol da saúde dos bebês.
Segundo a pediatra homeopata intensivista Neonatal da Santa Casa de Irati, Márcia Cristina Martins, na UTI era como se houvesse uma separação entre os técnicos e as famílias, o que era preciso acabar. “Nós não estamos separados, todos estamos cuidando da criança, tanto a família quanto a equipe. Então essa humanização é uma coisa muito importante, principalmente para o paciente, porque o bebê sente que todos estão trabalhando juntos em prol dele”, explica Márcia.
Márcia conta que a UTI Neonatal e a Pediatria tinham problemas com relação ao convívio com os pais. “Recebíamos queixas sobre a administração, sobre a falta de repasse de informações, mas nós até repassávamos as informações só que não de uma forma sistemática. Não havia uma regularidade no repasse das informações aos pais e isso gerava certo desconforto”, relata.
Para mudar esse quadro e estreitar os laços entre equipe médica e família, foi feita a proposta de reuniões semanais, sempre às terças-feiras, com os funcionários. A iniciativa trouxe resultados positivos. “A gente tinha uma visão muito interessante de como o outro profissional estava enxergando o caso de cada paciente”, conta Márcia.
Foram nessas reuniões que surgiu a ideia de realizar encontros também com os pais, acrescentando, além da visão técnica, uma visão mais afetiva sobre cada caso.
A assistente social, Ana Claudia Andrade, explica que as reuniões com os pais acontecem sempre nas quintas-feiras. “É nesse momento que eles tiram todas as dúvidas, porque o ambiente da UTI é novo para os pais. Então, às vezes não é nada, mas um aparelhinho apita e a mãe se desespera achando que é uma grande coisa, por isso fazemos as reuniões, assim os pais ficam mais tranquilos e podem passar essa tranquilidade para o bebê”, comenta Ana.
Ana ressalta que os encontros tentam suavizar a permanência das mães e familiares no Hospital, tornando o momento mais agradável e tranquilo, o que favorece a recuperação do bebê e diminui o tempo de permanência do mesmo na UTI.
Também há casos em que a mãe não pode acompanhar o bebê, para amenizar a preocupação, a equipe da UTI Neonatal e da Pediatria se dirige até a mãe para mantê-la tranquila. “Nós tivemos um caso de um parto onde o bebê foi para a UTI Neonatal e a mãe para a UTI Adulto. No dia da reunião com os pais, nós fizemos a reunião e depois toda a equipe se dirigiu até a mãe para explicar a situação do bebê”, lembra a assistente social.
Salete Vieira de Melo é a enfermeira coordenadora da UTI Neonatal e afirma que há uma participação e uma integração muito grande entre todos. “A gente até chora junto e as reuniões nunca falham, se é um dia meio apurado a gente muda o horário, mas nunca deixa de fazer e se atrasa um pouquinho os pais já vem perguntar. Todos já estão adaptados a essa rotina”, comenta a enfermeira.
Eledir Alves Ferreira é do município de Candói e está com a filha internada na UTI Neonatal da Santa casa de Irati há dois meses. “É claro que estou com saudade de casa e dos meus outros filhos, mas até cheguei a acostumar aqui, não é um clima pesado de hospital, eu converso com os outros pais com a equipe e isso é ótimo para todos”, conta.
Enquanto a filha está na UTI esperando ganhar mais peso para poder ir para casa, Eledir fica na Casa de Apoio e afirma que lá também é muito bem tratada. “Eu acho que nunca vi em outro lugar uma equipe que cuida tão bem dos pacientes. A minha filha é muito bem cuidada e nas reuniões com os pais eles explicam tudo o que o bebê tem e o que é preciso fazer”, ressalta Eledir.
A enfermeira Salete ressalta que a reunião é tão importante para os pais quanto para a equipe. “Como nós nos revezamos e não estamos aqui o tempo todo, essa reunião é muito importante, pois todos ficamos a par da situação de cada paciente”, comenta.
Para a médica Márcia, a iniciativa tem sido uma ótima experiência. “Foi bom tanto para a equipe, que não vê mais a mãe como alguém que traz críticas, e bom para a família que não nos vê mais como alguém que chega e invade seu filho. Nós pudemos ampliar a nossa visão sobre o outro e é um trabalho que realmente nos dá muito prazer. É uma experiência que deveria ser feita em todo lugar”, conclui Márcia.
Equipe multidisciplinar
A equipe multidisciplinar da UTI Neonatal e da Pediatria da Santa Casa de Irati é formada por médico, enfermeiros, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, farmacêutico, nutricionista, psicólogo e assistente social. Ao todo a equipe é composta por nove pessoas, além das técnicas de enfermagem.


Santa Casa realiza aniversário para familiar de bebê internado há seis meses
Como exemplo do trabalho de humanização realizado pela equipe multidisciplinar da UTI Neonatal e da Pediatria da Santa Casa de Irati, na última sexta-feira, 21, uma mãe que está com o bebê internado há seis meses recebeu, junto com seus familiares, uma bela surpresa.
Por não poder se afastar de seu bebê, Solange Aparecida do Rocio tem muita dificuldade em conviver com a família que reside em Imbituva, principalmente com o filho de sete anos, Matheus.
Solange vai para casa a cada 15 dias, onde permanece por apenas um ou dois dias. “É muito difícil lidar com a separação, quando estou no hospital penso no Matheus que sempre pergunta por telefone quando eu volto para casa com o irmãozinho, e se estou lá, fico pensando no Miguel aqui, ligado nos aparelhos”, desabafa a mãe.
O bebê de Solange, Miguel, passou 28 dias na UTI Neonatal da Santa Casa de Irati, foi transferido para o Hospital Pequeno Príncipe em Curitiba, onde passou dois meses, e desde então está internado na Pediatria da Santa Casa de Irati.
São seis meses de luta, longe da família. Miguel não consegue sair do respirador devido a uma insuficiência respiratória, mas o caso do bebê ainda não tem um diagnóstico. “Isso é o que torna tudo mais difícil, pois eu não sei quanto tempo essa minha história vai durar” relata Solange.
Pensando em oferecer alguns momentos de alegria para a família, o grupo de humanização da Santa Casa de Irati decidiu fazer uma festa surpresa para o filho mais velho de Solange, que completou sete anos no dia 21 de agosto.

Na data, a equipe do hospital buscou o Matheus em Imbituva, junto com seu pai e a madrinha, para que o menino pudesse visitar o irmão caçula. Mal sabia o Matheus que na Pediatria estava preparada uma sala com balões, docinhos, salgadinhos, refrigerante e bolo, tudo para que ele pudesse comemorar seus sete anos em família.
“Eu fiquei muito feliz e agradecida quando soube da festa que a equipe estava preparando para o Matheus”, disse Solange. “A equipe médica aqui da Santa Casa é muito boa, o apoio deles é muito importante. Se não fosse a fé que eu tenho e se Deus não tivesse colocado tantas pessoas boas aqui, eu não teria aguentado”, diz a mãe, emocionada.

"O ambiente da UTI é novo para os pais. Então, às vezes não é nada, mas um aparelhinho apita e a mãe se desespera achando que é uma grande coisa, por isso fazemos as reuniões, assim os pais ficam mais tranquilos e podem passar essa tranquilidade par ao bebê”, conta  a assistente social Ana Claudia.

Texto e fotos: Ana Paula Schreider