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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Denúncias de violência contra mulher aumentam em Irati

Imagem Ilustrativa
  
Denúncias de violência contra mulher aumentam em Irati
Segundo a Secretaria de Bem Estar Social não há como mensurar se os casos aumentaram ou diminuíram no município, entretanto, devido às campanhas de conscientização, denúncias aparecem toda semana. Creas faz acompanhamento dos casos e dá auxílio às vítimas



Atualmente, o município de Irati possui 120 casos ativos de violência contra a mulher, segundo dados do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) de Irati. Os bairros  com maior número de registros deste tipo de violência são: Rio Bonito (23 casos), Alto da Lagoa (11 casos) e Vila Nova (9 casos).
Apesar dos números, a secretária municipal de Assistência Social, Karen Seidel, afirma que não é possível mensurar se os casos aumentaram ou diminuíram. “Há mais mulheres denunciando esse tipo de violência, mas ainda existem muitos casos em que elas se omitem, então, além desses 120 casos, podem existir outros que não são do nosso conhecimento”, afirma.

Acompanhamento
O Creas é o responsável por fazer o acompanhamento de todos os casos de violência contra a mulher em Irati. A psicóloga Sybil Dietrich explica que quando a equipe recebe uma denúncia são realizadas visitas à residência da mulher violentada. “Nós buscamos escutar essa mulher e acompanhar o seu caso, também conversamos com o agressor”, explica.
A psicóloga afirma que em muitos casos o próprio agressor busca o Creas para uma reconciliação. “Eles ligam e até vem aqui para tentar resolver a situação, talvez por receio das consequências que seu ato violento possa trazer”, conta.
O Creas tem um grupo de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica. São cerca de 10 encontros com um grupo de 10 a 15 mulheres. Nesses encontros, o Creas busca explicar os direitos das mulheres, falar sobre a Lei Maria da Penha, mas principalmente, sobre qualidade de vida.
“O grupo do Creas não incentiva a separar, mas explicar como a pessoa pode fazer para sair da situação de violência”, relata uma das integrantes do grupo.
A assistente social Eliane Bach Hejel afirma que o único problema é que as mulheres fazem a denúncia, mas muitas vezes não continuam com o acompanhamento. “Apesar dos esforços do Creas em sempre acompanhar esses casos de violência, muitas mulheres acham que só a denúncia já vai resolver o problema, ou que participando de um ou dois encontros já é suficiente”, diz.
A secretária municipal de Assistência Social, Karen Seidel, explica que não cabe ao Creas julgar as decisões tanto da mulher que sofreu violência quanto do agressor. “Se ela volta a conviver com o agressor e não continua com o acompanhamento do Creas, não nos cabe julgar. O nosso papel é fazer a orientação necessária e ajudar da melhor forma possível”, explica.
Casa de Apoio
Muitas das mulheres que sofrem violência evitam denunciar ou se afastar do agressor, porque não tem para onde ir. “Muitas vezes a violência acontece por ciúme e o agressor afasta a vítima dos familiares, amigos e a deixa isolada”, comenta a secretária de Assistência Social, Karen Seidel. Dessa forma, o Creas disponibiliza uma casa de apoio para essas mulheres, cujo endereço não é revelado para proteger as vítimas de seus agressores.
Uma das mulheres que já esteve abrigada na casa de apoio diz que se sentiu segura ao ser hospedada no local. “É uma boa, me senti segura. Se não tivesse a casa de apoio eu teria que agir sozinha”, afirma.
Denuncie
Em 2014, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180  recebeu 52.957 denúncias de violência contra a mulher no país. Em sua grande maioria, as mulheres relatam violências praticadas por homens (companheiros, cônjuges, namorados, amantes).
Em Irati, a secretaria municipal de Assistência Social afirma que as denúncias de violência contra a mulher aparecem semanalmente. “Quase todos os dias recebemos denúncias e isso se deve ao grande esforço do Creas em divulgar, através de ações e panfletos, que a violência contra mulher independente de seu grau, deve ser sim denunciada”, afirma a secretária de Assistência Social.
A secretária frisa que não só os casos de agressão física devem ser denunciados. “Existem vários tipos de violência contra a mulher que podem machucar muito mais do que um tapa ou um soco”, afirma Karen. A vítima pode sofrer violência psicológica, quando recebe ameaças e é xingada; violência patrimonial, quando o agressor quebra ou tira seus pertences; e violência sexual, quando o agressor impõe à mulher relações sexuais contra a vontade da vítima.
Uma das formas de denúncia é através da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que oferece apoio e informações de como agir em situações de violência. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia e é um serviço gratuito.
Também é possível denunciar na Delegacia mais próxima, onde os profissionais estão aptos a ouvir e registrar o Boletim de Ocorrência, além de tomar outras providências para garantir os direitos e a segurança das vítimas.
Por fim, a vítima pode se dirigir até o Creas, onde é oferecido atendimento individual, informações, orientações, através da participação no grupo de apoio às mulheres vítimas de violência.
“Se ela volta a conviver com o agressor e não continua com o acompanhamento do Creas, não nos cabe julgar. O nosso papel é fazer a orientação necessária e ajudar da melhor forma possível”, Karen Seidel, secretária de Assistência Social.

Texto: Ana Paula Shreider/Hoje Centro Sul

Fotos: Silmara Andrade /Hoje Centro Sul