Situação precária das estradas rurais preocupa moradores do interior de Rebouças - Jornal Iratiin

Recente

Home Top Ad

Post Top Ad

terça-feira, 28 de julho de 2015

Situação precária das estradas rurais preocupa moradores do interior de Rebouças


Vereadores já fizeram inúmeros requerimentos à Prefeitura Municipal para que melhorias sejam realizadas, mas apenas trechos de estradas principais passaram por reparos

A equipe do Hoje Centro Sul visitou as estradas rurais do município de Rebouças, devido ao alto índice de reclamações da população a respeito das más condições das estradas de diversas localidades.
Regina* mora na localidade de Faxinal dos Francos há 55 anos e afirma que as estradas nunca foram boas na redondeza. “Há mais de dois anos nós estamos fazendo reclamações e enviando requerimentos à Prefeitura Municipal, nesse tempo só uma vez a patrola passou por aqui e as melhorias não duraram muito tempo”. Regina ainda conta que quando chove é impossível transitar pelas estradas.
A equipe visitou as localidades de Rodeio, Faxinal dos Francos e Salto passando pelas estradas onde circula – quando é possível - o transporte escolar. A estudante e moradora da localidade de Salto, Mariana*, está no 9º ano e relata que o ônibus escolar não pode passar próximo a sua casa devido as condições da estrada.
Mariana e mais quatro crianças que moram nas redondezas precisam caminhar cerca de três quilômetros até o ponto em que o ônibus passa. “A gente vai, mesmo com chuva, a gente precisa ir e vai a pé no barro mesmo, porque se o ônibus entrar aqui ele atola”, conta a estudante.
Segundo o vereador Laércio Antonio Cipriano (PT) conta que os requerimentos para melhorias nessas localidades já foram feitos três vezes, por três vereadores diferentes. “Já faz mais de um ano que essas melhorias estão sendo requeridas, algumas reivindicações já fazem mais de dois anos”, explica Laércio.
Alguns trechos das estradas principais receberam patrolamento, mas, segundo o vereador Laércio, são as estradas vicinais que precisam de mais reparos. “As estradas de roça que nós chamamos, estão muito prejudicadas, ainda mais que é preciso fazer o escamento da safra, fica impossível trabalhar nas condições que as estradas estão”. Segundo o vereador, a maioria dos requerimentos feitos pela população é para patrolamento das estradas.
A equipe do Hoje Centro Sul entrou em contato com a Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal de Rebouças para saber sobre possíveis melhorias a serem realizadas nas estradas rurais da região. Entretanto, a Secretaria não se pronunciou até o fechamento desta edição.
 

Relembre – Denúncia sobre obras nas estradas rurais de Rebouças
Em março de 2014, uma comissão foi organizada por três vereadores da Câmara Municipal de Rebouças - Fabio Chiqueto do PSD (Presidente), Silvio Pszedimirski do PMDB (Relator) e Jaderson Molinari do PP (Membro) - para investigar denúncias de superfaturamento no cascalhamento de estradas rurais do município de Rebouças.
Nos itens apontados na denúncia estavam a não realização de processo licitatório e os altos valores pagos na execução do serviço, sendo que foram cascalhados três quilômetros de estradas rurais com custo de R$ 145.485,55.
Esses três quilômetros onde foi realizado o cascalhamento estão localizados na região do Faxinal dos Francos, local onde a equipe do Hoje Centro Sul pôde verificar a precariedade das estradas rurais. Segundo o vereador Laércio Antonio Cipriano, cada quilômetro não deveria custar nem R$10 mil e custaram quase R$50 mil ao município. “Sem falar que a estrada já está em situação precária novamente”, afirmou o vereador.
Na época, o prefeito Claudemir dos Santos Herthel (PSDB) entregou sua defesa alegando que não houve processo licitatório, porque o município havia declarado situação de emergência devido ao período de chuva registrado entre os dias 19 e 26 de junho de 2013. Ainda segundo a defesa, sobre o valor aplicado para o cascalhamento, o prefeito informou que o preço praticado foi de mercado, de acordo com as tabelas do SINAP/SEOP/DER.
Na sessão ordinária do dia 8 de abril de 2014, a maioria dos vereadores optou em arquivar a denúncia por cinco votos a quatro.


Texto e Fotos: Ana Paula Schreider/Hoje Centro Sul






Logo abaixo, segue o editorial do Jornal  Hoje Centro Sul, edição impressa 795. 


O problema das estradas rurais

Não é de hoje que ouvimos a população clamar por melhorias nas estradas. A reportagem do Hoje Centro Sul traz a dificuldade dos moradores das localidades do interior de Rebouças em se deslocar, devido a precariedade em que se encontram as vias rurais.
Crianças que precisam andar três quilômetros para conseguir pegar o transporte escolar, já que o mesmo não consegue chegar até suas casas devido às condições da estrada, e a dificuldade em fazer o escoamento da safra, são apenas alguns dos exemplos das dificuldades vividas por esses moradores.
O problema não assola só o município de Rebouças. Segundo dados do IBGE, 84% de toda a malha rodoviária nacional (1.724.929 Km) é composta de estradas rurais e, mesmo sabendo de toda a importância que essas vias têm para o desenvolvimento do país, 98,8% não se encontram pavimentadas.
Como a agricultura é uma das principais bases da economia do Brasil, as estradas rurais exercem um papel fundamental para nossa economia. As estradas rurais são conhecidas como vias “alimentadoras”, ou seja, é através delas que é estabelecida a ligação entre as comunidades produtoras e as grandes rodovias pavimentadas, por onde circulam as mercadorias até o seu destino final.
Entretanto, são raras as pesquisas que procuram soluções para as estradas não-pavimentadas no Brasil. Nos municípios, como em Rebouças, nem sempre são buscados meios, recursos, parcerias para resolver o problema. Ou se são buscados, não se mostram eficientes para evitar transtornos significativos à vida das pessoas, como a necessidade de crianças caminharem quilômetros porque o ônibus não consegue passar por atoleiros.

Tais estradas deveriam merecer maior atenção dos órgãos de pesquisa e dos poderes públicos já que contribuem maciçamente para o desenvolvimento sócio-econômico da região a qual pertencem.