Família de Orreda é homenageada em palestra na Unicentro - Jornal Iratiin

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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Família de Orreda é homenageada em palestra na Unicentro


Palestra ministrada pelo doutorando e professor Daniel Trevisan Samways foi realizada na noite de sexta-feira, 23

O Centro de Documentação (CEDOC) da Unicentro prestou uma homenagem à família do Professor José Maria Orreda em um evento realizado na noite de sexta-feira, 23, no auditório do PDE. Estiveram presentes a coordenadora do CEDOC, Professora Ana Paula Wagner, o vice-chefe do Departamento de História, Professor João Carlos Corso, a diretora do Centro Cultural Denise Stoklos e presidente da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná (ALACS), Professora Luiza Nelma Fillus, e o palestrante da noite, doutorando e professor Daniel Trevisan Samways.

Durante o evento, as autoridades presentes falaram da convivência que tiveram com Orreda. O Professor João Carlos Corso, do Departamento de História da Unicentro, afirmou que preparar todo o evento foi uma verdadeira emoção. “A gente sabe da importância que o Professor Orreda teve em sua vida, na sua trajetória na cidade de Irati, e principalmente para nós do curso de História. Eu estou aqui desde 1997 e me lembro de muitos e muitos trabalhos acadêmicos sobre várias temáticas e que as pessoas pediam a orientação do Professor Orreda. Assim, ele continuará presente pelo seu trabalho e por toda a documentação que ele juntou e pelo material que produziu”, comentou.

Para Corso, o que chama a atenção no trabalho de Orreda é que ele não estava preocupado apenas com a história da sua família, mas com a história de Irati.
A coordenadora do CEDOC, professora Ana Paula Wagner, disse que o objetivo do evento foi demonstrar o reconhecimento e a gratidão da comunidade ao professor Orreda. “Foram suas diferentes facetas que fizeram de Orreda um cidadão exemplar”, ressaltou.

Em entrevista à Najuá, Ana Paula afirmou que ficou satisfeita com a presença da família e amigos de Orreda e da comunidade. “O que saiu daqui hoje (sexta-feira) foi a importância desse grande cidadão para a história de Irati”, destacou.
A professora afirma que o incentivo que Orreda dava para os jovens participarem da vida política da cidade fará muita falta. “Falta essa motivação, essa curiosidade, falta um desejo de sair dessa zona de conforto e questionar, batalhar, se motivar para gerar mudanças”, diz.

O diretor do campus de Irati da Unicentro, Professor Edélcio José Stroparo, ressaltou a importância que José Maria Orreda teve num momento importante de crescimento da instituição. “Lá pelos idos de 1998, eu acredito, era um momento importante da universidade porque nós estávamos vivendo um período pós-reconhecimento, que aconteceu em 1997 após uma luta muito grande da nossa instituição para isso”, relembra.

Edélcio afirmou que, enquanto universidade, era necessário crescer, pois a Unicentro tinha apenas quatro cursos que foram herdados da antiga FECLI. Ele conta também que, naquela época, a instituição estava implantando dois cursos: Educação Física e Engenharia Florestal, e numa conversa que teve com Orreda, Edélcio comentou sobre a implantação desses cursos. “Ele ficou feliz com isso, mas disse que nós precisávamos do curso de História. Eu disse que entendia que era importante termos o curso aqui”.

Edélcio, que na época era vice-reitor da Unicentro, conta que, apesar da dificuldade e dos problemas que encontraria, trouxe, a pedido de Orreda, o curso de História para Irati, mesmo estando vinculado ao Departamento de História de Guarapuava. “Levei esta ideia para Guarapuava, conversamos e pensamos em viabilizá-la. Formatamos o projeto e acabamos trazendo para Irati os cursos de História e de Administração nesta condição de curso emprestado, que nós chamamos de curso descentralizado, o que algum tempo depois aconteceu com a Geografia também”, finalizou.

Em seu discurso, a diretora do Centro Cultural Denise Stoklos e presidente da ALACS, Professora Luiza Nelma Fillus, disse que Daniel Trevisan Samways foi o primeiro acadêmico a realizar um Trabalho de Conclusão de Curso sobre a vida e a obra do professor José Maria Orreda. Ela destacou ainda que, além de professor, orador, jornalista, editor e historiador, Orreda foi também escritor e contista, e que esses trabalhos devem ser descobertos pelos alunos das diversas áreas da universidade de Irati. “Ele transitava pelas diversas áreas com competência, com dignidade e cidadania que dignificavam o seu trabalho pessoal e intelectual”.

 Luiza lembrou ainda que a bandeira de Irati foi idealizada por Orreda. Nela, estão representados, além do brasão, três distritos e a sede do município. Em entrevista à Najuá, ela disse que a homenagem prestada pela Unicentro foi uma forma de reconhecimento ao trabalho e ao legado deixado pelo professor. “Ele deixou um legado que está todinho para ser feito, a exemplo do trabalho do Daniel, então ele está pronto para ser descoberto pelos alunos em todas as áreas da Unicentro“, diz. Luiza afirma que Orreda nunca abriu mão de seus princípios. “Ele sempre quis uma Irati melhor, com um povo mais feliz, dentro da literatura, do esporte. Ele era um cidadão que acreditava que as pessoas tinham que viver pela arte, pela alegria, e a gente viu que é isso mesmo”, frisou.

O palestrante da noite, Professor e doutorando em história Daniel Trevisan Samways, disse que ficou extremamente emocionado em retornar a Irati e falar sobre o professor José Maria Orreda. “Lembrar do Orreda é lembrar também das suas lições, do que ele foi, do que ele fez pela cidade, utilizando seu jornal, utilizando seus livros, enfim, foi uma pessoa de grande importância para a história do município, mas que buscou sempre modificar e melhorar a sua sociedade”, frisou Daniel.


 Ele conta que seu interesse pelo trabalho de Orreda no jornal “O Debate” surgiu ainda na graduação. “Eu estava no 1º ou no 2º ano, quando o professor veio fazer uma fala para os alunos do curso de História e comentou um pouco do seu jornal, e foi aí que eu pensei em pesquisar esse jornal, que tem muito a nos dizer. Isso acabou se tornando uma monografia, depois uma tese de mestrado, que eu defendi em 2009 na Universidade Federal do Paraná. Foi a palavra do professor Orreda que despertou esse interesse pela sua atuação, que teve um lado muito mais intelectual que político”, finalizou. Daniel é formado em História desde 2005.

Fabiana Orreda, filha do homenageado, disse que a família ficou muito agradecida com a homenagem prestada pela Unicentro. “A gente está muito comovido com este reconhecimento pelo seu trabalho como jornalista, como educador, dando uma visão coletiva para a comunidade, de anseios coletivos realizados, de bem comum.”, ressaltou. Ela disse ainda que ficou emocionada por poder contar um pouco da história de seu pai para os estudantes da universidade.

Fabiana destacou ainda que José Maria Orreda teve um trabalho muito importante na década de 60, quando retornou dos estudos da universidade. “Ele teve oportunidades ímpares para escrever”, afirmou. Ela ressalta ainda que a história de Orreda está toda pronta para ser escrita, e que existe muita pesquisa e muitas reflexões a serem realizadas pelas instituições de ensino e pela comunidade. “Desta forma, a gente vai registrando estes momentos todos e construindo esta cidade que é Irati, que nos deixa viver e realizar a vida”, finalizou Fabiana.

Biografia de Orreda

Nascido em Irati em 27 de novembro de 1936, José Maria Orreda era filho de Luiz Orreda e Ângela Eulália Brustolin. Deixa a viúva Madalena Maria Anciutti Orreda e os filhos Fabiana e Fernando Anciutti Orreda. Cursou a Escola Superior de Educação Física e Desportos do Paraná entre 1958-1960. Fundou o jornal O Debate (1961). Incentivou a construção do Ginásio de Esportes em Irati, das escolas João XXIII, na Vila São João e Padre Wenceslau, no Rio Bonito. Entre 1964 e 1968, foi inspetor educacional da Secretaria de Estado da Educação.

Contribuiu para a implantação das associações de pais e mestres nas escolas do interior de Irati. Coordenou a APAE de Irati em 1967 e também foi secretário-geral da instituição até a década de 1970. Coordenou as primeiras ações para que se instalasse a FECLI – Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Irati.
Em 1967, nos 60 anos de Irati, foi co-idealizador do brasão e da bandeira de Irati. Também era membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense (1980), do Conselho Regional de Desportos (1983-1986), do Conselho Estadual de Cultura (1985-1986). Na política, presidiu a Câmara Municipal de Irati entre 1983 e 1985. Também foi um dos membros fundadores e idealizadores da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro Sul do Paraná (ALACS).

Editou e publicou 12 livros e duas séries de revistas históricas sobre o município de Irati: Revista Irati 70 anos (1977) e Revistas do Centenário de Irati (2007), em dez volumes.



Texto e fotos: Paulo Henrique Sava / Najuá

Diretor da Unicentro lembrou da contribuição de Orreda com a universidade

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Palestrante Daniel Trevisan Samways