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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Vida de piloto

Piloto de avião. Uma profissão que, sem dúvidas, a maioria das crianças já quis ter um dia. Seja um piloto comercial – aquele que voa por uma empresa – seja um piloto da aeronáutica – treinado para operações militares. Estar no comando de um veículo que, literalmente, faz você “tocar” as nuvens foi a ambição de grandes inventores da história que, pouco a pouco, proporcionaram ao mundo de hoje, o que conhecemos como avião. Fruto da vontade por voar, o iratiense Ezequiel Gomes investe na carreira de piloto desde que se conhece por gente. Em entrevista ao jornal Hoje Centro Sul (HCS), o aspirante a piloto conta mais sobre como funciona, na prática, a realização do desejo de voar.

HCS – Como surgiu essa vontade de seguir a carreira de piloto?

Ezequiel – Surgiu desde moleque. Um amigo do meu pai tinha um escritório localizado dentro de um hangar. Quando dava, eu entrava num dos aviões e ficava até ir embora. Foi daí que a vontade de ser piloto surgiu.

HCS – Como funciona a preparação para ser um piloto comercial?

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Ezequiel – Começa mais ou menos aos 18 anos. Você faz um curso teórico num aeroclube ou numa escola homologada, faz um teste físico – que se renova a cada ano – e a parte prática. É praticamente como uma auto-escola comum. Só que, para trabalhar, você precisa de duas carteiras: piloto privado, que são 35 horas de vôo, um curso teórico e a aprovação numa prova da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil); e piloto comercial, que pede 150 horas de vôo.

HCS – Quais são as diferenças entre o piloto comercial e a militar?

Ezequiel – É bem diferente. Eles têm um treinamento totalmente diferente. Um estilo militar de pilotagem – com manobras etc. O piloto comercial, geralmente, trabalha em empresas de aviação.

HCS – Muita gente pensa que, se a pessoa tem algum problema de visão, ela não poderá pilotar. É verdade?

Ezequiel – Depende do grau do problema. Eu mesmo tenho um probleminha na vista. Mesmo assim sou habilitado a voar. Tanto que o meu CMA (Certificado Médico Aeronáutico) diz: Uso de lentes corretoras. Existem alguns problemas que causam a reprova mesmo, como uma miopia avançada, por exemplo.

 

HCS – Em relação à parte teórica, como funciona?

Ezequiel – Não vou dizer que é legal. É chato. Tem que estudar. Você tem contato com cinco matérias: teoria de vôo, regulamento, meteorologia, motores e navegação. A cada carteira que você tira, você precisa fazer uma prova sobre essas disciplinas.

HCS – Na prática, o piloto tem mais alguma função além de pilotar o avião propriamente?

Ezequiel – Na verdade ele faz bastante coisa. Ele é o gerenciador de cabine, além de ser total responsável pelo vôo, pelos passageiros e pela tripulação. Não dá pra esquecer do co-piloto. Ele tem a função de auxiliar em todas as funções do vôo e substituir o piloto, caso algo aconteça.

HCS – Em quais áreas um piloto formado pode trabalhar?

Ezequiel – Com a carteira de piloto privado, você só pode pilotar monomotor e visual (sem necessidade do uso de instrumentos norteadores). Geralmente quem tem essa carteira tem seu próprio avião e pilota por hobbie. Pra quem quer trabalhar com isso, é obrigatória a carteira de piloto comercial, com habilitação em vôo por instrumento.

HCS – É um mercado muito concorrido?

Ezequiel – Por incrível que pareça, é. Além disso, o nosso setor está passando por uma crise atualmente. Prova disso são algumas empresas de aviação que demitiram muitos funcionários nesses últimos tempos.

 

HCS – É uma profissão muito arriscada?

Ezequiel – Eu digo que é mais fácil você se acidentar indo de carro para o aeroporto do que pilotando um avião. Mas não tem como falar que não é arriscado. Risco sempre tem. Tinha um professor meu na faculdade que falava que 100% dos acidentes com avião são causados por falhas humanas. Dificilmente é o equipamento que dá problemas. Minha noiva não gosta muito, mas aceita e me apoia.

HCS – Qual o conselho que você dá para quem quer ser piloto?

Ezequiel – Se você não gosta de matemática, esqueça. Tem que querer muito e estudar.

 

Texto: Lucas Waricoda
Fotos: arquivo pessoal